Caminho em busca de pensamentos que me façam compreender a existência do Haiti. Penso nos trabalhadores das barracas armadas em tendas no meio da areia. Investigo os riscos de andar solitário num espaço urbano desprotegido. Organizo meus sentimentos existenciais, as saudades, as ausências, as incertezas e destrezas do tempo. As novas dimensões da idade e as novas possibilidades de recusar caminhos objetivos.
A paisagem caminha pra trás, sôfrega de acompanhar-me sem a intensidade do sol. Percorro um emaranhado de poças e reflexos trêmulos, água incessante. Andrajos ameaçadores com cartolinas na cabeça me perscrutam. Cruzo com dois corredores destemidos. Começo a correr.
Corro! Corro! Corro! Em ritmo de baixa cadência, trote de bonde adiantado, carreira de boi molhado, reta sem ribanceira, rua desaguada, movimento da alma atrasada entre as saudades esquecidas. Saudades andantes amontoadas no eixo do esquecimento. Corro... Corro e carrego as gotas implosivas. Corro e carrego minhas decisões maduras.
Esse é meu território, ausente e líquido, imenso e turvo... matinal e essencial.
0 comentários:
Postar um comentário