se jorgarmos um sapo numa panela com água fervente ele pula e sobrevive; se o deixarmos na água morna e elevarmos pouco a pouco a temperatura,Capaz de morrer antes do término,
ele não percebe e morre.
Capaz de prender-me à catraca do transporte,
Capaz de ver acontecer insétil o inesperado,
Capaz de achar-me em contas estatísticas,
Tecendo a escapatez probabilística,
À fuga analógica que não vejo necessária.
Cego-me suíno e anuro num lago sem saída.
O tempo é o remanso local do porco,
E o louco que dele se alimenta,
O próprio porco abatido...
De sapo a porco, pulo da parábola ao fato:
para se abater o porco bastam dois homens;Às vezes o bicho resiste porque choro,
um segura as patas traseiras hasteadas,
enquanto um segundo dana um machado no meio da testa do bicho;
Às vezes o charco é o antro da alegria,
Valha-me-deus a esperança e o tempo,
Apesar das mortes e saudades.
Encosto trêmulo na lembrança de mãe,
Abraço a estética do último suspiro,
Respiro ir-me sem matar-me...
Sou simplesmente o homem no remanso,
Inepto na espera do abate.
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