
Não sei quantos são os atores envolvidos nas ecolhas do tempo e das realizações. Dizem que a espiritualidade transcende escolhas. Mas certos caminhos acabam se transformando no que não foi planejado pela mortalidade, e sim, pela posteridade. É resultado do que escrevemos sem saber, do que plantamos sem colher, do que fazemos com amor.
O homem que cruzou meu destino se chamava José Ricardo.
Trouxe ao largo sua família, seus filhos, suas histórias, suas manifestações largas de otimismo e filantropia. Sempre que chegava trazia uma luz discretamente eterna e carinhosa, um humor perfeito, uma vitalidade anti-pílulas e um jeito de ser acima de qualquer livro de auto-ajuda.
Após alguns anos de convívio José Ricardo partiu e deixou um legado de possibilidades pré-construídas, planificadas por suas escolhas e intuição, determinadas por suas realizações discretas. Deixou um projeto que seu filho às vezes atribui como uma idéia minha, uma colaboração do nosso encontro, mas que na verdade não era.
O projeto da Fundação José Ricardo tinha uma consonância materialista (no sentido filosófico) e uma vertente espiritualista. Nasceu da dialética de um acontecimento e três circunstâncias. A primeira, foi a de ter ele criado dois filhos com grandes qualidades de caráter e empreendedores sociais também intuitivos como ele. A segunda, foi sua trajetória de vida, marcada pelo ímpeto de ocupar um espaço criativo e sentimental na sociedade, cumprindo o que não lhe foi pedido por ninguém, a missão de ajudar uns e outros.
A terceira circunstância foi nos encontrarmos e trocarmos algumas idéias sobre o que fazer com aquele legado. Surgiu a idéia da Fundação, de seus objetivos e de como iniciar. Eu fui apenas uma circunstãncia.
Seus filhos e esposa acreditaram e investiram coração no projeto, o coração do pai, seu DNA, a combinação filosófica e espiritual que enreda as decisões e fomenta realizações.
Depois disso ajudei muito pouco. Dei algumas idéias, arrumei um espaço para os primeiros eventos, colaborei num ou noutro aspecto estrutural. Caminhei orgulhoso no tempo por levar alguma glória, alguns méritos e muitos sentimentos de consideração fraterna à semeadura. Não sou os vários que cantaram e contribuiram como protagonistas e participantes. Não pude, na maior parte do tempo dos últimos 10 anos, contribuir financeiramente com essa história, e quando pudia, não o fiz por estar perdido em meu próprio universo de preocupações e dedicações.
Ainda hoje busco respostas para o caminho traçado e realizado. Para o meu afastamento das circunstãncias que determinaram o amadurecimento da FUNJOR no tempo, em importância e fortalecimento ético. Isso se deve ao amor de uma família, à história de um homem, às figuras de seus Ex-Presidentes e defensores humildes.
Minha homenagem à Fundação José Ricardo. E meus agradecimentos aos agradecimentos que me fazem todos os anos, sem saber que o quão minúscula é minha colaboração perante a obra que foi a vida de um pai e artista maravilhoso.
Através deste transcurso, das milhares de realizações e destes 10 anos de institucionalidade inatacável, à margem de minha vida pessoal marcada por sucessos e fracassos, aprendi a importância de um tijolo numa construção, e aprendi que o principal semeador deste grande projeto foi na verdade o próprio José Ricardo.
Não poderia deixar de contar esse pequeno pedaço de minha vida e esse grande acontecimento que foi a Fundação José Ricardo para muitos que são ajudados por ela e que colaboram através dela. Fazem dela um instrumento para criar e ajudar. Esse é o sentido, é o significado maior do que foi feito.
Obrigado e parabéns à família de José Ricardo, assim como a todos os amigos, membros e fazedores da Fundação José Ricardo por terem ajudado a enriquecer minha vida com exemplos.
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