Sobre o BLOG


Primeira Postagem

Mudei tudo e continuo mudando. Não vale a pena expor-se na contingência de continuar igual, deixar-se levar pelos paradigmas, nada mudar, nada relevar que possa interferir positivamente em nossas vidas.

Por isso resolvi criar as minhas crônicas do amanhã, universo em fragmento que se expõe para que eu possa opinar, decodificar, desnudar.


Crônicas & fragmentos
é um espaço de crítica perfurante, incitação e polêmica contra a visão amordaçante do pensamento globalizado. E não estou aqui me referindo à expressão globalização econômica, utilizando-a como um cacoete crítico de esquerda, e sim, no sentido behaviorista, de condicionamento em massa. Aquilo que Lênin (e não sou nada leninista) chamava de jugo.

Reputo como mordaça, não se dar conta de que vivemos numa realidade que se refrange, estica, absolutiza identidades e configura nossa perspectiva para o óbvio. Então, somos incapazes de ver traços éticos nos governos que nos antagonizam, renovação em atos de violência, rigor moral em
submundos ou transformação em imanência. Não vemos nada, afunilamo-nos. Fluímos no néscio da micro-contemporaneidade, o dia-a-dia rarefeito dos jornalões, 5 ou 6 grandes famílias influindo sorrateiras ou sobremaneira no pensamento nacional.

O diabo da democracia, mesmo deficiente, é que ela engendra contradições e nichos de resistência para conflagrações e renovações futuras. Tudo gira, mesmo que parecendo igual. Este espaço é um contraponto e um desabafo para a discussão de idéias generalistas. Visa colher as impressões e opiniões dominantes do dia-a-dia que se transformaram em ecos morais ou ideológicos e abrir uma nova perspectiva, lançar polêmica e discussão, sem mêdo de errar ou de tornar-se politicamente incorreto. Esse é o começo.

Sylvio Nunes

I n c o m u n i c a ç ã o

Quero saber

Quero saber se você vem comigo
a não andar e não falar,
quero saber se ao fim alcançaremos
a incomunicação; por fim
ir com alguém a ver o ar puro,
a luz listrada do mar de cada dia
ou um objeto terrestre
e não ter nada que trocar
por fim, não introduzir mercadorias
como o faziam os colonizadores
trocando baralhinhos por silêncio.
Pago eu aqui por teu silêncio.
De acordo, eu te dou o meu
com uma condição: não nos compreender

Pablo Neruda (Últimos Sonetos)

EL ÁNGEL GUARDIÁN

PARA RECITAR AOS SEUS FILHOS

Es verdad, no es un cuento;
hay un Ángel Guardián
que te toma y te lleva como el viento
y con los niños va por donde van.

Tiene cabellos suaves
que van en la venteada,
ojos dulces y graves
que te sosiegan con una mirada
y matan miedos dando claridad.
(No es un cuento, es verdad.)

Él tiene cuerpo, manos y pies de alas
y las seis alas vuelan o resbalan,
las seis te llevan de su aire batido
y lo mismo te llevan de dormido.

Hace más dulce la pulpa madura
que entre tus labios golosos estrujas;
rompe a la nuez su taimada envoltura
y es quien te libra de gnomos y brujas.

Es quien te ayuda a que cortes las rosas,
que están sentadas en trampas de espinas,
el que te pasa las aguas mañosas
y el que te sube las cuestas más pinas.

Y aunque camine contigo apareado,
como la guinda y la guinda bermeja,
cuando su seña te pone el pecado
recoge tu alma y el cuerpo te deja.

Es verdad, no es un cuento:
hay un Ángel Guardián
que te toma y te lleva como el viento
y con los niños va por donde van.

Gabriela Mistral

Cristo em 16/05

Cristo em 16/05